Eurotrip – Final

Após a movimentada Roma, era hora de seguir para um destino menos famoso. Comecei a pesquisar para onde ir, minha primeira ideia era Toscana, mas como não queria ver muitos turistas achei melhor deixar para uma próxima vez. Uma amiga havia me indicado Munique, comecei a pesquisar e entre várias abas de pesquisa, li sobre o Vale do Loire na França, e não tive mais dúvidas, peguei novamente um voo de Roma a Paris e em Paris peguei um trem para Blois, que seria a minha cidade base.

Neste momento eu já me sentia em casa na Europa, havia passado por 3 países (4 se contar o Vaticano =D ), apenas com meu inglês capenga, já que todas as cidades eram bem preparada para receber turistas, não precisei tirar da bolsa meu dicionário de Italiano, nem o de Francês.

No trem para o interior da França percebi que as coisas seriam diferentes, a começar pela locução dos transportes que antes era em Francês e Inglês, outras vezes estendia-se ate o Espanhol e agora era apenas em Francês. Tive que ficar bem atento para entender que a próxima parada seria Blois.

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p1080670_tonemapped_26688284122_oChegando na cidade, percebi que tinha feito a escolha certa, tudo tranquilo, parecia não haver turistas nas proximidades (ou eles estavam se escondendo bem de mim). Deixei minhas coisas no hotel e fui andar pela cidade, que era linda, não que Paris não fosse, mas Blois parecia manter o charme de uma cidade voltada para seus moradores e não para os turistas, ou seja, seria uma ótima cidade para morar.

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Andei pelo centro da cidade, que não tinha trânsito e encontrei a porta de uma igreja entreaberta, entrei com a sensação de que seria repreendido por isto a qualquer momento, parecia que meus passos ecoavam pela igreja inteira, como outras igrejas góticas que já havia visitado, o seu interior tinha cores lindas devido aos seus vitrais imensos.

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p1080668_tonemapped_26688311322_oSai pela porta lateral e vi o Castelo (ou Palácio) Chateau Royal de Blois, subi a rua em direção a ele, não poderia deixar de conhecer o interior de um Castelo que já foi residência de Reis e Rainhas Franceses e que preservava nos aposentos reais todo seu luxo original.

p1080693_tonemapped_26757278076_o p1080675_tonemapped_26178209233_o p1080880_tonemapped_26508692310_o p1080712_tonemapped_26714806601_o

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O Vale do Loire conta com vários castelos, como se apenas isto não soasse maravilhoso, ainda existem estradas exclusivas para Bikes, que ligam as cidades e atravessam as florestas dos arredores.

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No dia seguinte aluguei uma Bike (se é que podia chamar aquilo de bike) para conhecer castelos nas cidades vizinhas, meu primeiro destino seria o Chateau de Cheverny, que aliás inspirou Marlinspike Hall, criador das Aventuras de Tintin, para idealizar o castelo do capitão Haddock. O Palácio fica a 22 km de Blois, algo em torno de uma hora de pedal leve, atravessando as florestas em uma via asfaltada.

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p1080915_tonemapped_26687553702_o p1080922_tonemapped_26177390063_o p1080920_tonemapped_26176055114_o p1080916_tonemapped_26781378865_o p1080914_tonemapped_26714260241_o p1080929_tonemapped_26687442932_oAlém do belo jardim, encontrei esse casa de Hobbit.

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Na volta, entre os campos floridos, vi essa casinha, e sim, se pudesse, eu moraria nela.

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Para fechar esse tour épico, peguei novamente a Bike no dia seguinte e pedalei mais 25 km ate Chateau de Chambord, que é o maior castelo do Vale do Loire, e tem uma escada de hélice dupla que pode ter sido desenhada por Leonardo da Vinci, mas nem tudo seria fácil, para eu me guiar nas estradas, utilizava um mapa com todos os caminhos de bike que ligavam os castelos, além, é claro, das placas indicativas. Saindo de uma dessas florestas, cheguei ao centro de uma cidadezinha em meio a pingos de chuva, e por algum motivo eu não me acertei com as placas, tirei o mapa para me situar e os pingos ficaram mais fortes, logo chegou um senhor Francês para me ajudar, queria mostrar o mapa para ele mas a chuva havia piorado, tentei explicar em inglês que queria ir ao Castelo de Chambord, ele me olhou como se eu falasse grego, e perguntou “Chambord!?”, me passou instrução em Francês (eu que não sei nem pedir água em Francês), ele percebendo que isto não daria certo, começou a ensinar a rota com as mãos, enquanto a chuva apertava, em algum momento ele falou “pharmacie” (Farmácia!?), me situei, agradeci, subi na Bike e peguei a direção indicada.

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Chegando ao Castelo, o tempo abriu e aproveitei para tomar Cappuccino, daqueles que vendem em maquinas parecidas com as de refrigerante, apesar de gostar de tomar Cappuccino, tomo apenas quando está frio, e os poucos graus acima de Zero eram propícios a isso.

Sobre o Castelo, é difícil explicar o quão legal é poder ver e tocar a história, acredito que as imagens podem falar por si só.

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p1080864_tonemapped_26714330031_o p1080886_tonemapped_26177515393_o p1080831_tonemapped_26687724182_o p1080841_tonemapped_26781520235_o p1080936_tonemapped_26175924184_o p1080933_tonemapped_26756476256_o p1080926_tonemapped_26756523546_o Quando comecei a voltar, o sol já havia se escondido entre as nuvens, chegando próximo a Blois, começou uma chuva de granizo, eu não tinha onde me esconder, então me restou continuar pedalando. Não sei se era pior ir devagar para não doer tanto, ou ir rápido e ficar menos tempo nesse sofrimento, resolvi cobrir o máximo do corpo, abaixar o capacete para cobrir o rosto, e seguir. Infelizmente isto não me livrou de tomar umas pedradas doídas nas orelhas e nas mãos.

Quando cheguei a Blois, a chuva passou, resolvi passar em um mercado e pegar algo para comer, mas como nada era tão simples, tive que aguardar em torno de uma hora, pois era horário para sesta e nada ficava aberto.

 


 

Sobre o Vale do Loire:

  • As cidades do Vale do Loire não recebem tantos turistas, geralmente eles vem de Paris apenas  para conhecer o Castelo em um bate e volta.
  • Sem dúvidas é um ótimo lugar para andar de bike, devido as suas estradas exclusivas, logo, é um lugar que todos aprendem a amar a Bike.