Travessia Petrópolis X Teresópolis

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Grupo reunido

Tem certas aventuras na vida que nunca esqueceremos, acho que a mais desafiadora pra mim até hoje (pretendo ter outras), foi a travessia da Serra dos Órgãos, na região Serrana do Rio de Janeiro.

Nossa vontade de fazer esta travessia começou ao lermos vários blogs de pessoas que haviam feito e recomendavam fortemente, a princípio, como nós nunca tínhamos feito nada parecido, pensamos em fazer primeiro a travessia de Agulhas Negras, pois seu nível de dificuldade era menos intenso, acabou que não deu certo e partimos logo para o nível avançado, enfrentamos a travessia conhecida como a mais linda do Brasil.

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é um dos melhores locais do país para a prática de esportes de montanha, existem outras possibilidade para quem não quer fazer a travessia Petrópolis – Teresópolis, para mais informações, clique aqui.

Bom, após termos decidido que queríamos este desafio, começamos a entrar em contato com diversos guias, no site do PARNASO mesmo tem uma lista com todos os guias credenciados para a travessia, por fim, escolhemos o Thiago e a Ediane, que foram muito solícitos e passaram todas as informações necessárias. Eles indicaram o hostel Hi Samambaia para que pudéssemos pernoitar quando chegássemos no Rio de Janeiro,  informaram o que devíamos levar, e a todo momento estavam prontos para tirar dúvidas. Nossa escolha de guia foi mais do que certeira.

Reservamos 3 dias para a travessia, tem gente que faz em menos tempo, mas eu não aconselho, pois são caminhadas exaustivas, fizemos em três dias e mesmo assim foi muito cansativo.

Eu não sou nenhuma esportista, gosto muito de natureza, mas não faço exercícios com frequência, já o Rafa, corre, anda de bike, kaiak, etc… Estou explicando isso pois, se você for como eu, é possível fazer a travessia SIM, e saiba, ao mesmo tempo que será desafiador, será gratificante, uma experiência inesquecível.

Antes de fechar com um guia, você precisa comprar os ingressos do parque e das pernoites aqui, pois mesmo acampando em barraca própria, como eu e o Rafa fizemos, é preciso pagar por um pedacinho de chão para montá-la. Na época (Abril de 2014) pagamos R$ 25,00 nos dois ingresso, R$ 12,00 em duas pernoites no camping Castelo do Açu, R$ 12,00 por duas noites no Camping da Pedra do Sino, R$ 40,00 nos banhos de água quente em ambos os camping e R$ 80,00 nas trilhas da montanha, para o guia o valor foi de R$ 220,00 por pessoa.

Aconselho FORTEMENTE que vocês não levem muito peso, dito isso, não é necessário levar barraca, é aconselhável que vocês tentem pernoite dentro do alojamento ou que aluguem a barraca lá com eles, porque gente, o Rafa sofreu carregando todo o peso, na época eu fui com uma mochila pequena, onde coube apenas meu saco de dormir e alguns snacks, na mochila dele (uma cargueira), foi a barraca, o saco de dormir, blusas de frio, câmeras, manta térmica, etc, na volta da travessia fomos pesar a mochila e passou de 25 kg, um erro para quem pretende fazer esta travessia, pois o aconselhável é que você carregue no máximo 10% do seu peso.

Nosso grupo foi composto por 12 pessoas, 1 guia, 3 guias auxiliares e 8 aventureiros. No Hostel acabamos conhecendo três pessoas que fariam a travessia conosco, dois Mineiros e um Inglês que falava português perfeitamente, até hoje mantemos amizade com algumas dessas pessoas maravilhosas.

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Saindo do Hostel

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Morador do Hostel

Deixamos o carro no estacionamento do Hostel, pedimos um táxi e fomos até a entrada do parque, onde havíamos combinado de nós encontrar. A travessia começou por volta das 10:30 a.m., pra mim (não esportista), o começo já foi exaustivo, embora tenha muitas subidas e canse bastante, em meio as subidas fazíamos paradas para comer, tirar fotos e descansar. Depois de caminharmos 7 km, numa subida de cerca de 1100 metros, já de tarde chegamos até o Castelo do Açu, primeiro camping de pernoite. A vista que se tem do Castelos do Açu fecha com chave de ouro o primeiro dia da travessia, de lá é possível avistar todo o Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara além de toda a cadeia de montanhas da Serra dos Órgãos.

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Fez muito frio de noite, mas o saco de dormir deu conta, aconselho que levem sacos de dormir para temperaturas negativas, pois pode acontecer, quanto a comida, eu e o Rafa levamos apenas lanches, durante esse primeiro dia, nos mantivemos com o café da manhã do hostel, na metade do percurso comemos umas barrinhas de cereal, e de noite, já na barraca, tivemos que nos contentar com Polenguinho, Salame e Bisnaguinha.

Acordamos antes do amanhecer para ver o nascer do sol, um dos mais lindos que já vimos juntos, os picos acima de um mar de nuvens.

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Nesse segundo dia o percurso teve uma altitude média de 2000 metros, o caminho é muito lindo, todas as paradas são de tirar o fôlego, e recuperá-lo também.

Uma parte preocupante do percurso foi o “elevador”, que é uma escada feita de vergalhões de aço presos a uma pedra íngreme que dá acesso ao cume do Morro do Dinossauro, dá um medinho de subir, mas foi tranquilo, outra parte do percurso que tive muita dificuldade, foi o cavalinho, que tem esse nome por se tratar de uma pedra que para atravessar é necessário fazer um movimento semelhante ao de montar um cavalo, eu não consegui fazer esse bendito movimento, dai tive que ser guinchada puxada pelo guia.

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Após andarmos cerca de 10 km, chegamos até a Pedra do Sino. O guia perguntou se gostaríamos de subir até o cume da pedra, mas como o Rafa não estava muito bem, e eu também não aguentava mais andar, decidimos ir direto montar a barraca no abrigo.

Nesse dia não tínhamos comido quase nada, o Rafa estava um pouco doente, pode ter sido por causa da água, embora estivéssemos tratando ela antes de beber, eu não tive nada, mas ele não ficou bem. De noite também fez frio e serenou bastante, tanto que a barraca ficou úmida. Tentamos tomar banho de água quente, mas informaram depois que eu já estava esperando a mais de uma hora, que a água tinha acabado, mesmo tendo pagado pelo banho, não foi possível usufruir. O Rafa teve coragem de tomar banho com com água gelada, mas eu sinceramente não consigo.

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No terceiro e último dia saímos da pedra do Sino e seguimos rumo à sede de Teresópolis, cerca de 11 km, eu estava acabada, mesmo o percurso sendo o mais fácil comparado aos outros, tenho que confessar, não nos alimentávamos adequadamente, dormíamos mal, o Rafa estava doente e carregando muito peso, e a todo momento eu me perguntava se iria conseguir chegar até o final, mas como não gosto de desistir, e naquela altura do campeonato era mais fácil ir pra frente do que pra trás, segui adiante, por incrível que pareça, eu e o Rafa estávamos com um ritmo bom de caminhada, sempre próximos do guia, mesmo cansados não perdíamos o ritmo, como alguns integrantes do grupo andavam mais devagar, quando parávamos para esperá-los, podíamos descansar um pouco.

Já quase no final, na descida, cruzamos com duas cachoeiras onde o destaque foi o Véu da Noiva com 16 metros de altura, o pessoal aproveitou para se refrescar.

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Quando chegamos ao final da trilha eu mal pude acreditar, uma felicidade sem fim se instaurou, e eu só queria contar pra todo mundo o tanto que andamos, quantas paisagens maravilhosas vimos, e quantos amigos fizemos.

Para os aventureiros de plantão, não deixem de fazer essa travessia, ela realmente vai ficar marcada na sua história.

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Final da Travessia


Dicas e Curiosidades:

  • Eu emagreci 3 kg em 3 dias de travessia ( os recuperei com a mesma rapidez).
  • Cuidado com a maneira de tratar a água, você pode estar fazendo isso errado e acabar bebendo água com gosto de cloro, além de ficar doente.
  • Levem Chás, Cup Noodles e Sanduíches naturais, não vivam só de Polenguinho e barrinha de cereal, pois isso vai apenas fazer com que você não queria ver esses dois na sua frente por muito tempo (e olha que amo Polenguinho).
  • Não carreguem muito peso.
  • Levem protetor solar, labial, lenços umedecidos, proteções térmicas como: segunda pele, blusa fleece, calça, anoraque ou corta vento, luvas, gorro, isolante térmico e bastão de caminhada (muito útil).
  • Corda, mosquetão e equipamentos de segurança geralmente são fornecidos pelo guia, certifique-se com ele antes.
  • Não tenha frescura de fazer suas necessidades no meio do mato.
  • Dê uma treinadinha fazendo caminhadas ou corridas alguns meses antes da sua aventura.
  • APROVEITE O MÁXIMO QUE PUDER .

Obs: Caso queira fazer a travessia com a Ediane, aqui está o contato dela, se ela não puder, com certeza terá alguém maravilhoso para lhe indicar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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